Não sei por quê chamam o processo seletivo de talentos do futebol de peneira, quando deveria se chamar funil.
Um funil muito, mas muito estreito mesmo, por onde pouquíssimos mesmo conseguem passar.
Eu, no dia não entendi como, passei com sobras.
Foram 5 minutos e 5 gols, todos absolutamente casuais: a bola bateu na canela, na bunda, até no cotovelo sem que o juiz do treino percebesse.
Dizem que a bola procura o craque, mas no meu caso ela nunca se negou ao perna de pau aqui.
Em 20 anos de carreira, eu sempre fui artilheiro com folgas.
Não tinha essa de jejum de gols, que isso é desculpa de quem não nasceu com o bico da chuteira virado pra lua.
Eu metia pra dentro mesmo, era danado pra estufar a redinha.
Às vezes o jogo ficava até sem graça rápido demais e o pessoal pedia pra eu maneirar, esperar o momento certo pra fazer um golzinho.
Vitória sofrida, partida dramática, comigo em campo tudo isso era só encenação.
Muitas vezes eu bancava o zagueiro, voltando pra marcar e evitando ficar perto demais do gol adversário, pra bola não bater e mim e entrar sem querer.
Afinal eu queria ser lembrado como o homem-gol, o que dá e não o que tira a dramaticidade do espetáculo.
Por conta desse meu pacto com o "coisa ruim" do futebol, eu fui empilhando recordes e mais recordes de gols, virando artilheiro de tudo que é campeonato, copa, torneio de verão.
Não me faltaram contratos milionários, fama e claro, mulheres.
Até hoje, aos 38 anos, poderia estar atraindo multidões em clubes da Arábia, China e outros mercados caça-níqueis.
Mas o que era dom acabou virando maldição.
Eu já não via mais graça em treinar, vencer, superar limites.
Era tudo tão fácil e banal.
As crianças já nem me escalavam no FIFA, pois até o game eu deixava sem graça.
Nunca fui preterido por técnico nenhum ou alguma torcida ficou no meu pé ou saí do clube pela porta dos fundos. E eu me torturava por isso.
Só ficava no banco por aquela razão que já contei: deixar a emoção pro finalzinho, quando eu entrava para resolver um placar no último minuto.
Não adiantava esperar que a fase boa passasse, pois eu nunca soube o que fosse uma fase ruim.
Aos 30 anos, pendurei as chuteiras.
E tomei o cuidado de amarrá-las muito bem - vai que elas saíssem sozinhas por aí fazendo gols.
Eu sei, todo mundo que foi testemunha do que fiz, deve hoje me olhar ainda em forma e não compreender.
Uns devem até me desprezar por isso. Aleluia.
Dou razão a eles, conquistei tudo que um aspirante a futebolista sequer sonhou e mais um pouco.
Mas meus caros, acreditem.
Felicidade demais cansa.
Felicidade demais cansa
quarta-feira, 8 de junho de 2016
domingo, 5 de junho de 2016
Eu, a garota mais linda da escola
Você já deve estar predizendo como termina esse relato, concluindo que o fim da minha beleza coincide com o epílogo da minha vida feliz.
Hã-hã, perdeu playboy.
Não nego, fui muito feliz na minha juventude bastante em função da minha beleza, que sem falsa modéstia era hipnotizante.
Claro que abriu muitas portas na medida em que esse mundo machista é comandado injustamente por eles.
Desde cedo tive colegas, professores, namorados, amigas, chefes, todos aos meus pés.
Por conta disso, tive toda sorte de facilidades.
Não é exagero dizer que eu não fazia nada além de cuidar da minha aparência e o resto foi consequência.
Na escola, sempre tinha um nerd ao meu lado para me socorrer nas provas.
Restaurantes e bares, nunca paguei a conta.
Roupas, meus abastados pais nunca me deixaram repetir.
Academias, pagavam para eu embelezar.
Estágios e empregos, ah, nunca me faltaram.
E claro, pretendentes tive em profusão, do berço ao altar.
O casamento com um rico e bonito homem só acendeu ainda mais o meu magnetismo.
Constituí a família perfeita, que deu continuidade à saga de me atrair todos os sortilégios.
Meus lindos filhos, como prova de que os genes também carregam a bem-aventurança, seguem pela mesma avenida asfaltada de sorte que eu trilhei.
Mas você sabe que pra qualquer um que tenha um QI razoável, e o meu é acima da média, chega a ser ofensivo, mesmo para a balzaquiana que já sou, ser apenas valorizado pelo trinômio busto, cintura e quadril.
E eu cometi, como diriam minhas afetadas amigas, a "burrice" de dar das costas para minha vida.
Larguei marido, abri mão da minha parte da fortuna, me afastei de uma vida povoada de festas, jantares beneficentes e amigas fúteis.
Fui morar fora, voltei a ser uma estudante aos 37 anos, dividindo casa com roomates de 18.
Virei a "tia" da república, a que incompreensivelmente fazia a faxina e estudava para as provas com o mesmo sorriso estampado no rosto.
Uma "tia" maluca e realizada.
Morri de saudades de meus filhos, que agora só via a cada 3 meses.
Mas toda a felicidade de comercial de margarina derreteu quando me peguei tendo que fazer tudo por mim mesma.
Não vou negar, tive a vida dos sonhos de qualquer um.
Mas meus caros, acreditem.
Felicidade demais cansa.
Hã-hã, perdeu playboy.
Não nego, fui muito feliz na minha juventude bastante em função da minha beleza, que sem falsa modéstia era hipnotizante.
Claro que abriu muitas portas na medida em que esse mundo machista é comandado injustamente por eles.
Desde cedo tive colegas, professores, namorados, amigas, chefes, todos aos meus pés.
Por conta disso, tive toda sorte de facilidades.
Não é exagero dizer que eu não fazia nada além de cuidar da minha aparência e o resto foi consequência.
Na escola, sempre tinha um nerd ao meu lado para me socorrer nas provas.
Restaurantes e bares, nunca paguei a conta.
Roupas, meus abastados pais nunca me deixaram repetir.
Academias, pagavam para eu embelezar.
Estágios e empregos, ah, nunca me faltaram.
E claro, pretendentes tive em profusão, do berço ao altar.
O casamento com um rico e bonito homem só acendeu ainda mais o meu magnetismo.
Constituí a família perfeita, que deu continuidade à saga de me atrair todos os sortilégios.
Meus lindos filhos, como prova de que os genes também carregam a bem-aventurança, seguem pela mesma avenida asfaltada de sorte que eu trilhei.
Mas você sabe que pra qualquer um que tenha um QI razoável, e o meu é acima da média, chega a ser ofensivo, mesmo para a balzaquiana que já sou, ser apenas valorizado pelo trinômio busto, cintura e quadril.
E eu cometi, como diriam minhas afetadas amigas, a "burrice" de dar das costas para minha vida.
Larguei marido, abri mão da minha parte da fortuna, me afastei de uma vida povoada de festas, jantares beneficentes e amigas fúteis.
Fui morar fora, voltei a ser uma estudante aos 37 anos, dividindo casa com roomates de 18.
Virei a "tia" da república, a que incompreensivelmente fazia a faxina e estudava para as provas com o mesmo sorriso estampado no rosto.
Uma "tia" maluca e realizada.
Morri de saudades de meus filhos, que agora só via a cada 3 meses.
Mas toda a felicidade de comercial de margarina derreteu quando me peguei tendo que fazer tudo por mim mesma.
Não vou negar, tive a vida dos sonhos de qualquer um.
Mas meus caros, acreditem.
Felicidade demais cansa.
sábado, 4 de junho de 2016
Eu, modelo e roqueiro de sucesso
Não falo apenas de adolescentes imberbes e espinhentos.
Qualquer um que honra o que tem no meio das pernas invejaria minha condição: modelo e roqueiro de sucesso.
Nessa ordem, pra você não pensar que fui um roqueiro convidado para fazer pontas em desfiles depois da fama.
Primeiro nasci bonito, me tornei modelo e tive todas as mulheres que quis.
E as poucas que não me quiseram e gostam de um bom rock, tiveram uma segunda chance comigo quando me tornei um bem-sucedido empunhador de guitarras.
Sabe aquele ditado de que Deus não dá asa à cobra?
Acho que ele estava cochilando na minha concepção, pois sou um réptil voador pra lá de abençoado.
Dos 20 aos 30 anos, dividido entre passarelas e turnês da banda, tive uma vida que você, meu amigo, não conseguiria imaginar.
Fui a festas homéricas, tive a companhia feminina que quis, dei a volta ao mundo em jatinhos e iates, experimentei tudo que existe de bebida, comida e droga.
O delivery do destino se fartou de me entregar o combo completo: dinheiro, fama e mulheres à vontade.
Mas como diria minha avó, e que Deus a tenha, tudo que é em excesso faz mal.
E eu confesso que enjoei.
Em plena suruba numa suíte presidencial, eu vi tudo parar.
A vida de repente ficou em câmera lenta, o som ensurdecedor virou silêncio insuportável.
Eu estava esgotado de ser consumido por aquele ritmo frenético.
Acabei internado num hospital, com direito a sorinho na veia, sopinha e todo o cardápio do vovô que eu já me sentia.
Era um cansado, um ancião aos 30 anos.
Tanto que não deram alta, eu é que me dei alta da minha vida.
Larguei as passarelas e a banda.
Resolvi me casar, fazer família e viver recolhido numa extensa e bucólica fazendo do interior.
Em vez de pares de mamas, minha rotina agora é ordenhar vacas, sendo que só me alimento dos produtos orgânicos que produzo.
Às vezes uma ou outra groupie invade a fazenda para me assediar, mas aí reajo como um latifundiário repele um sem-terra: um delicado tiro de sal na bunda.
Na contabilidade geral tive uma vida feliz, antes e depois da fama.
Mas meus caros, acreditem.
Felicidade demais cansa.
Qualquer um que honra o que tem no meio das pernas invejaria minha condição: modelo e roqueiro de sucesso.
Nessa ordem, pra você não pensar que fui um roqueiro convidado para fazer pontas em desfiles depois da fama.
Primeiro nasci bonito, me tornei modelo e tive todas as mulheres que quis.
E as poucas que não me quiseram e gostam de um bom rock, tiveram uma segunda chance comigo quando me tornei um bem-sucedido empunhador de guitarras.
Sabe aquele ditado de que Deus não dá asa à cobra?
Acho que ele estava cochilando na minha concepção, pois sou um réptil voador pra lá de abençoado.
Dos 20 aos 30 anos, dividido entre passarelas e turnês da banda, tive uma vida que você, meu amigo, não conseguiria imaginar.
Fui a festas homéricas, tive a companhia feminina que quis, dei a volta ao mundo em jatinhos e iates, experimentei tudo que existe de bebida, comida e droga.
O delivery do destino se fartou de me entregar o combo completo: dinheiro, fama e mulheres à vontade.
Mas como diria minha avó, e que Deus a tenha, tudo que é em excesso faz mal.
E eu confesso que enjoei.
Em plena suruba numa suíte presidencial, eu vi tudo parar.
A vida de repente ficou em câmera lenta, o som ensurdecedor virou silêncio insuportável.
Eu estava esgotado de ser consumido por aquele ritmo frenético.
Acabei internado num hospital, com direito a sorinho na veia, sopinha e todo o cardápio do vovô que eu já me sentia.
Era um cansado, um ancião aos 30 anos.
Tanto que não deram alta, eu é que me dei alta da minha vida.
Larguei as passarelas e a banda.
Resolvi me casar, fazer família e viver recolhido numa extensa e bucólica fazendo do interior.
Em vez de pares de mamas, minha rotina agora é ordenhar vacas, sendo que só me alimento dos produtos orgânicos que produzo.
Às vezes uma ou outra groupie invade a fazenda para me assediar, mas aí reajo como um latifundiário repele um sem-terra: um delicado tiro de sal na bunda.
Na contabilidade geral tive uma vida feliz, antes e depois da fama.
Mas meus caros, acreditem.
Felicidade demais cansa.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Eu, sultão, dono de um harém
Muitos homens, principalmente no mundo ocidental, acreditam que a felicidade está ligada à quantidade de mulheres que eles conseguem conquistar.
É a propalada necessidade instintiva de espalhar sua "sementinha" pelo maior número possível de vasinhos de xaxim.
Pois nesse quesito meu instinto de caçador foi mais do que satisfeito. Ou melhor, não o instinto caçador, pois nem cabe a mim a tarefa de caçar.
Moro num hárem com quase duas mil mulheres.
A cada noite o me deito com uma diferente, de modo que toda fêmea me parece diferente e ao mesmo tempo, a mesma.
Essa variedade mantém minha libido em dia, mas o ritual de sedução se perde.
Não sinto mais o tesão da conquista.
Nem mesmo aquele que devem sentir os machos alfas como um Brad Pitt, ou, numa escala mais local, um João Paulo Diniz da vida.
Esses usam sua fama e fortuna como armas de destruição de casamentos em massa, mas ao menos tem a ilusão da conquista.
Eu,não.
Já me foi dado o "privilégio" - e por que não, a obrigação - de comê-las todas como refeições diárias com hora marcada.
Nada de buquês de flores, presentes, surpresinhas. Nem mesmo recadinhos amorosos perdidos em gavetas.
Ao menos não tenho a chateação das obrigações de marido ou namorado, mas às vezes me pego curioso, querendo saber o que é ser interrompido num jogo de futebol por uma D.R.
Minhas mulheres já circulam com indumentária diminuta, de modo que nem despí-las eu me dou muito ao trabalho.
Também nunca tive que pular a janela do quarto de alguma mulher, fugindo de um pai furioso com espada em punho, disposto a entregar meus bagos em oferenda a Alá.
Antes tivesse algum problema erétil, assim poderia me retirar temporiaramente das obrigações de dono de harém.
Mas minha saúde sexual plena me faz cumprir mecanicamente meu destino de ejaculador entediado.
Por isso eu digo, meus leitores ocidentais.
Jamais julguem por esgotados os seus desejos só por enfileirar conquistas amorosas.
Eu já tive a mulher que quis.
E muitas até se apaixonaram por mim.
Mas, meu caros, acreditem.
Felicidade demais cansa.
É a propalada necessidade instintiva de espalhar sua "sementinha" pelo maior número possível de vasinhos de xaxim.
Pois nesse quesito meu instinto de caçador foi mais do que satisfeito. Ou melhor, não o instinto caçador, pois nem cabe a mim a tarefa de caçar.
Moro num hárem com quase duas mil mulheres.
A cada noite o me deito com uma diferente, de modo que toda fêmea me parece diferente e ao mesmo tempo, a mesma.
Essa variedade mantém minha libido em dia, mas o ritual de sedução se perde.
Não sinto mais o tesão da conquista.
Nem mesmo aquele que devem sentir os machos alfas como um Brad Pitt, ou, numa escala mais local, um João Paulo Diniz da vida.
Esses usam sua fama e fortuna como armas de destruição de casamentos em massa, mas ao menos tem a ilusão da conquista.
Eu,não.
Já me foi dado o "privilégio" - e por que não, a obrigação - de comê-las todas como refeições diárias com hora marcada.
Nada de buquês de flores, presentes, surpresinhas. Nem mesmo recadinhos amorosos perdidos em gavetas.
Ao menos não tenho a chateação das obrigações de marido ou namorado, mas às vezes me pego curioso, querendo saber o que é ser interrompido num jogo de futebol por uma D.R.
Minhas mulheres já circulam com indumentária diminuta, de modo que nem despí-las eu me dou muito ao trabalho.
Também nunca tive que pular a janela do quarto de alguma mulher, fugindo de um pai furioso com espada em punho, disposto a entregar meus bagos em oferenda a Alá.
Antes tivesse algum problema erétil, assim poderia me retirar temporiaramente das obrigações de dono de harém.
Mas minha saúde sexual plena me faz cumprir mecanicamente meu destino de ejaculador entediado.
Por isso eu digo, meus leitores ocidentais.
Jamais julguem por esgotados os seus desejos só por enfileirar conquistas amorosas.
Eu já tive a mulher que quis.
E muitas até se apaixonaram por mim.
Mas, meu caros, acreditem.
Felicidade demais cansa.
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